Localidades

Casa Grande e Senzala

Localidades: Ruína da Senzala
Suportes da Memória: Livros Séc. XVII Fotografias
O Horto Florestal foi habitado desde 1578 quando o Engenho D´El Rey -depois chamado de Engenho Nossa Senhora da Conceição da Lagoa- iniciou suas atividades ali. Algum tempo depois, já no século VII, foi construída a sede da Casa de engenho, uma estrutura de pé até hoje (embora em ruína) que nos revela detalhes de sua estutura original, erguida aos moldes do tipo ideal consagrado por Gilberto Freyre em Casa Grande e Senzala. Na 20 a edição dessa obra (1980), as ilustrações são do pintor Cícero Dias e apresentam a disposição interna e externa do Engenho dos Bois em Pernambuco.

Desenho de Cícero Dias para a edição comemorativa de Casa Grande e Senzala de Gilberto Freyre, 1980.
Os habitantes do Horto referem-se àquela ruína, situada no Morro das Margaridas, como a Ruína da Senzala. Prontamente acreditamos nessa informação guardada na memória social da comunidade, mas, ao investigarmos mais a fundo a construção, com a ajuda de profissionais especializados no assunto (Denise Pini Rosalém da Fonseca, arquiteta e doutora em história pela USP) acabamos por aferir que ali funcionava não somente a senzala, mas o binômio Casa Grande e Senzala do Engenho Nossa Senhora da Conceição da Lagoa.

Nossos parceiro nos indicaram que a construção apresentava características de casas de engenho e não de uma senzala e foram identificando cada marco de suas observações, bem como redesenhando imaginariamente a planta original a partir das evidências históricas encontradas no terreno, bem como por meio dos relatos de quem ainda mora ali. Juntando as informações, não foi difícil deduzir que tinhamos no acervo do Museu do Horto um exemplar típico de Casa Grande de engenho colonial de açucar, tal qual a representação de Freyre e Dias.

Detalhes da planta e de peças arquitetônicas nos levaram à conclusão de que havia uma estrutura em formato de U onde um corredor originalmente feito em pau-a-pique (segundo relatos dos moradores) fazia a ligação entre as duas casas principais do complexo. Estas eram bastante bem acabadas, com a presença de adornos em paredes e colunas e paredes largas feitas com a técnica de taipa de pilão, perceptíveis até hoje. Já o corredor de ligação era a serventia da casa e construído com a técnica taipa de sopapo (pau-a-pique). Ao fundo havia um quintal em forma de terreiro, com estruturas originais que remetem à possibilidade de ali terem existido criadouros de animais domésticos. Na casa principal, cuja escadaria e varanda originais davam para a frente da Ladeira das Margaridas, percebemos a elevação de terreno sobre a qual a casa foi edificada. Em outras partes da planta, igualmente percebemos um chão elevado em relação ao nível da rua. Em uma das fachadas principais podemos ver marcas de janelas de um porão que não mais existe, mas certamente existiu no passado, o que podemos atestar por esses indícios de janelas.

Nessa época não era comum que as senzalas fossem intaladas em porões porque o mais usual era que elas se compusessem como anexos às casas principais, devido à demanda por escravos domésticos. No complexo arquitetônico do Morro das Margaridas observamos construções adjacentes que podem ter abrigada antigas senzalas. Também deveriam haver senzalas mais distanciadas para os escravos que trabalhavam diretamente nas plantações de cana-de-açucar, as quais, provavelmente, se estendiam para ambos os lados da colina das Margaridas.

A estrutura arquitetônica de senzala no porão da Casa foi comum a partir do século XVIII e se encontra representada no Horto no Solar da Imperatriz, construção de 1780. De qualquer forma, encontramos na ruína do Morro das Margaridas evidências de uma construção típica das Casas Grandes dos engenhos coloniais, conforme demonstra a galeria de fotos abaixo em comparação com a planta histórica acima, documentada na obra de Gilberto Freyre.

Laura Olivieri - historiadora

Matérias em: Morro das Margaridas

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A origem do nome se deu pelo fato do caminho ser cercado por margaridas.