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Localidades › Caxinguelê

O final de semana dos dias 4, 5 e 6 de abril de 2014 foi marcado por memória e resistência na comunidade tradicional do Horto Florestal do Rio de Janeiro. Exatamente um ano depois do covarde despejo da família do Sr. Delton Luís, no Grotão, ocorrido em 4 de abril de 2013*, moradores e amigos do Horto mobilizaram um evento concentrando três dias de atividades lúdicas --e por isso mesmo, marcantes de sua resistência histórica.

Na sexta feira, dia 4 de abril, às 18h, os manifestantes se concentraram na entrada do Caxinguelê (Pacheco Leão, 1235) e ali assistiram vídeos em um telão montado na entrada para relembrar momentos de tristeza e alegrias, derrotas e vitórias de tantos anos lutando pelo direito à moradia, à identidade de sua cultura e de sua memória bicentenária. Quando escureceu e as pessoas chegaram dos seus trabalhos, uma procissão com faixas contra a remoção, camisetas pela permanência da população tradicional e muitas velas iluminaram o caminho dos participantes que levaram uma enorme cruz até a casa onde morava o Sr. Delton e sua família até serem tenazmente despejados há um ano atrás. Os manifestantes fincaram essa cruz em frente a ruína da moradia destruída pelo IPJBRJ. O símbolo de memória e resistência permaneceu ali até domingo, quando foi levada para a celebração da missa campal realizada pela Associação de Moradores e Amigos do Horto em parceria com a Pastoral das Favelas.

No sábado, houve um mutirão de limpeza, plantio e pintura da localidade, evento que anualmente é promovido pelos moradores a fim de preservar o seu meio ambiente. Em seguida, uma quermesse estava montada no Largo das Pedras, concentrando barraquinhas com quitutes tradicionais do Horto, camisetas e canecas promocionais da causa pela permanência dos moradores e lindas mudas de plantas. Os produtos eram vendidos a preços simbólicos para arrecadar fundos para a campanha. Um delicioso almoço foi servido pelos mais velhos enquanto os jovens cantaram e tocaram canções em seus violões, embalando o evento.

Também no sábado, acontecia em paralelo o encontro da Rede de museologia social do IBRAM, da qual o Museu do Horto honrosamente faz parte. A rede se reuniu no Museu Vivo de São Bento, em Duque de Caxias (RJ) e o coordenador do Museu do Horto, Emerson de Souza, participou da atividade, conforme podemos visualizar nas fotos que igualmente se encontram na galeria de imagens abaixo. 

Por último, mas não menos importante, no domingo de manhã houve a missa campal, celebrada pelo padre Luiz Antônio da Pastoral das Favelas, grande parceiro e entusiasta da causa da comunidade, que abençoou cada lar e seus moradores e, a um só tempo, toda aquela linda localidade. 

Proteção divina e capacidade de resistência, com criatividade e as ludicidades da memória identitária desse povo guerreiro selaram as atividades de outono no Horto.

A P2L, produtora cultural e midiática da comunidade fotografou e filmou o evento durante todo o final de semana e as imagens podem ser visualizadas na galeria de fotos abaixo e também em sua página do facebook e nos sites do Museu do Horto e da Amahor.   
Registra-se ainda a presença de importantes parceiros de nossa luta: Pastoral das Favelas, Movimento Nacional de Luta pela Moradia, ASPA - Rocinha, Vila Autódromo, SPU do Rio de Janeiro, vereador Reimont, deputado Edson Santos e militantes históricos da democratização da cidade, tais como Fátima Tardin, Célia Ravera, Clara Silveira, dentre outros queridos. Os amigos e parceiros sempre chegam junto para somar corpo e evidenciar a todos que se faz urgente a resistência à imposição de uma cidade partida pelos padrões elitistas e higienistas. 

A comunidade esteve reunida, independentemente de idades --num lindo encontro de gerações-- e independentemente de crenças e especificidades políticas. Na hora de lutar e resistir o Horto é unido e nessa união reside a sua força, que remonta ao quilombismo abolicionista do século XIX...

* Sobre esse trágico acontecimento, ver a matéria: http://www.museudohorto.org.br/5471?acervoId=0



Matérias em: Largo da Pedra

Final de semana de memória e resistência no Horto

Temas: Política Suportes:
O final de semana dos dias 4, 5 e 6 de abril de 2014 foi marcado por memória e resistência na comunidade tradicional do Horto Florestal do Rio de Janeiro. Exatamente um ano depois do covarde despejo da família do Sr. Delton Luís, no Grotão,…